When you’re sad and when you’re lonely

And you haven’t got a friend

Just remember that death is not the end

And all that you held sacred

Falls down and does not mend

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end

When you’re standing on the crossroads

That you cannot comprehend

Just remember that death is not the end

And all your dreams have vanished

And you don’t know what’s up the bend

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end

When the storm clouds gather round you

And heavy rains descend

Just remember that death is not the end

And there’s no-one there to comfort you

With a helping hand to lend

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end

For the tree of life is growing

Where the spirit never dies

And the bright light of salvation

Up in dark and empty skies

When the cities are on fire

With the burning flesh of men

Just remember that death is not the end

When you search in vain to find

Some law-abiding citizen

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end



Nick Cave - "Death is Not The End Lyrics"

Thought byBoabdil at 08:26 0 humans wrote something  

Não passou despercebido à imprensa nacional e aos (auto-)denominados opinion makers a resolução da Academia de Coimbra de realizar um referendo interno, questionando a realização, ou não, da queima das fitas 2004. pssaou mais ou menos despercebido o resultado: a maioria dos votantes decidiu que irá ser realizada.



A não realização da queima das fitas, evento onde rola mais dinheiro e álcool do que tradição (a única que ainda se mantém é a beber até cair), seria uma forma de protesto contra o aumento (ou existência de propinas), e em 2º plano todas as outras medidas da nova lei do ensino superior. Para os opinion (des)makers esta forma de protesto fazia tremer os cidadãos deste pais (pelo menos os que possuem interesses em cervejarias). Consideraram-na ridícula, infantil, despropositada… E então que formas de luta sugerem? Bloquear estradas? Fechar edifícios a cadeado? Amarrar bombas à cinta e fecharem-se em casas de banho? (a opção por estas formas levaria a que os estudantes fossem considerados irreponsáveis... etc, já estão a imaginar o filme). Eu sou a favor desta forma de luta (embora esteja em desacordo com os princípios que deram origem a esta luta estudantil), pois não sendo a queima das feitas um evento de extraordinária importância para o país (especialmente naquilo que se tem tornado nos últimos anos), é um momento de muita importância para os estudantes conimbricenses.



E qual é o princípio que deve nortear as formas de protesto? Deve-se prescindir de algo que é muito querido aos que protestam sensibilizando e tornando favoráveis os que estão de fora? Ou deve-se causar incomodo à sociedade em geral para tornar mais visível a luta e o que lhe dá origem (greves dos transportes públicos, por ex.)? Os estudantes do ensino superior após terem tentado a segunda forma, sem resultados visíveis para além de terem conseguido virar contra si quase toda a população não estudante do país (excepto os lideres dos partidos da oposição, vá-se lá saber porquê), viraram-se, e bem, para a primeira opção.

Mas ainda existem outras formas de lutas não exploradas (há muita falta de imaginação e vontade de inovar na população estudantil portuguesa – eu sei, fui e sou um deles). A minha preferida - greve de zelo ,e já tentada - imaginem durante uma semana TODA a gente ir às aulas (a todas)? Pois se uma das queixas dos alunos é a falta de condições e físicas e humanas, porque não prová-lo? Aposto que os Reitores e Professores gostariam, acho até que gostariam muito. Eu sei que custa muito a malta ir ressacada para uma aula teórica às 9 e 10 da manhã, mas se a luta é para ser levada a sério, alguns sacrifícios tem de ser feitos por parte dos interessados! Mas isto sou eu a sonhar. Aposto que se esta forma de luta fosse adoptada não apareciam nas salas de aula mais 10-20% do que o normal dos alunos (e 99% concordaria com a forma de luta escolhida).

Isto parece anedótico mas é verídico: na faculdade de letras da faculdade de Coimbra, os alunos resolveram fazer uma greve de zelo. Surpresa das surpresas no dia marcado para a greve, não apareceu quase ninguém nas aulas! Ainda menos do que o normal. Explicação: os alunos desta faculdade acharam que era uma greve como as demais e depois de uma boa noite de borga, aderiram à greve faltando as aulas. Brilhante, não é?



O resultado do referendo ditou que este ano vai ser realizada a queima das fitas.

Thought byBoabdil at 15:24 0 humans wrote something  

Poeta castrado, não!



Descobri hoje que Ary dos Santos já morreu há 20 anos. Não vou ser hipócrita e deizer que é um grande poeta, etc e tal, pois na realidade nunca li nada dele, e provávelmente nunca irei ler (não gosto de poesia), e se conheço o nome é pelo simples facto de ele ser o autor das letras várias músicas, já clássicas, de fado e musica ligeira.

Não gostar de poesia e não conhecer a obra do senhor mais nem menos do que o comum dos portugueses, não invalida que eu aqui reproduza um poema que me fascinou. Não serei o primeiro nem o único a faze-lo por estes dias... Descubram porquê!





Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário

fogueira de exibição

teorema corolário

poema de mão em mão

lãzudo publicitário

malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!



Os que entendem como eu

as linhas com que me escrevo

reconhecem o que é meu

em tudo quanto lhes devo:

ternura como já disse

sempre que faço um poema;

saudade que se partisse

me alagaria de pena;

e também uma alegria

uma coragem serena

em renegada poesia

quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu

a força que tem um verso

reconhecem o que é seu

quando lhes mostro o reverso:

De fome já não se fala

- é tão vulgar que nos cansa -

mas que dizer de uma bala

num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história

- a morte é branda e letal -

mas que dizer da memória

de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser

o poema dia a dia?

- um bisturi a crescer

nas coxas de uma judia;

um filho que vai nascer

parido por asfixia?!



- Ah não me venham dizer

que é fonética a poesia !

Serei tudo o que disserem

por temor ou negação:

Demagogo mau profeta

falso médico ladrão

prostituta proxeneta

espoleta televisão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado, não!



in SANTOS, Ary dos. - Resumo. Lisboa, 1973.

Thought byBoabdil at 15:20 0 humans wrote something  

Eu sou o último Rei Mouro!

Abu Abdullah, conhecido pelos cristãos como Boabdil.

Fui eu o último rei de granada, o ultimo reino mouro da península ibérica. Mas na realidade foram poucos os momentos em que me senti um verdadeiro Rei. Tive de dividir a minha cidade com o meu pai, que contra mim lutava, e simultaneamente protege-la dos reis católicos, Fernando e Isabel.

No fim da minha estada na Europa, tive de enterrar a minha preferida (e única amada) do harém, Morayma e um dos nossos filhos. Foi nessa altura que derramei as minhas ultimas lágrimas – O ultimo suspiro do mouro.

Deixei que o meu Reino fosse conquistado pelos católicos. Por isso hoje ainda pago, mas a história é bem diferente. Eu fugi para evitar a destruição do local mais belo de todos os reinos Ibéricos – O palácio de Alhambra. Os reis católicos ficaram com ele intacto, apenas para os lembrar eternamente que semelhante obra nunca iriam conseguir igualar. Se preservar a beleza é covardia, eu sou culpado desse crime.

Eu agora divago acerca do meu passado, pois não tenho presente, e o único futuro que algum dia tive, foi traçado à minha nascença por um oráculo. Foi dito nessa altura que quando me senta-se no trono, o reino iria cair e sofrer humilhação pela minha derrota e captura. Fui a partir desse dia chamado al-Zogoybi, o azarado, ou el Niño, o menino. Sempre achei que esta sentença afectou todo o meu comportamento em vida, e que ela foi a causa da minha desgraça. Pois tudo o que fiz tinha a marca do infortúnio – é difícil conseguir soldados para combater ao lado de alguém de dá pelo cognome de al-Zogoybi.

Mas isto já passou e hoje, alguns séculos depois de morrer a lutar por outro rei, tenho finalmente uma existência, senão feliz, pelo menos livre de necessidades. Ainda não sei se Alá me quer castigar por ter fugido, ou recompensar-me pela mesma razão. Acho que vou ter de ser eu a descobrir. Mas Ele foi bom comigo. Deu-me um corpo humano onde habito temporariamente, que me permite observar o mundo chamado de moderno, sem ter preocupações sociais, politicas, pessoais. È este corpo que eu uso para escrever neste espaço. Ás vezes é a mente associada ao corpo que escreve, outras vezes é o espírito (Zogoybi). Tenho quase a certeza que a mente (o “dono” do corpo) não dá pela minha presença, pois eu só me revelo em alguns momentos aleatórios.

Nunca me tinha apercebido até hoje das vantagens de ter um corpo, sem precisar de realizar qualquer operação de manutenção do mesmo. Se quisesse classificar esta minha relação a três, não lhe chamaria simbiose, pois na realidade eu não sou uma entidade biológica, nem cooperatividade, eu só recebo sem nada dar em troca. Acho que vou acabar os meus dias de espírito como um parasita. Não. Eu também não sou parasita. Não retiro recursos ao corpo, nem condiciono a mente. Nem na morte sei o que sou.



Mas vou usar este espaço para dizer tudo o que me apetece. Criticar, especular, sugerir, comentar… Afinal, haverá melhor opinião do que a de um espírito com 500 anos?

Thought byBoabdil at 16:24 0 humans wrote something  

As Leis (parte II)



Há sensivelmente um mês (16/12/2003) escrevi que iam ser julgadas várias pessoas (mulheres que abortaram, respectivos companheiros, e os médicos que ajudaram à festa). Aquilo que eu considerei na altura, uma espécie de hino à justiça e um indício de maioridade da Democracia Portuguesa, está torna-se precisamente o contrário. Ninguém me mandou ser optimista, e agora estou prestes a engolir o teclado.

Durante o julgamento, que ainda mal começou, foram identificados vários erros de procedimento por parte da investigação. Dentre eles o facto de a PJ ter feito diligências que competiam ao ministério público, e de ter passado o prazo razoável de entrega das transcrições das escutas telefónicas realizadas durante a investigação.

Foram também testemunhar alguns médicos que confirmaram que os medicamentos receitados (para a contracção do útero) apesar de serem usados para a interrupção voluntária da gravidez, poderiam ser prescritos para o tratamento de outras condições (o corporativismo acabou?).

Aparentemente, e tudo somado, está em causa a acusação contra os médicos (não, havia de ser contra as mulheres e companheiros). Mas o que me preocupa verdadeiramente, não é esta espécie de protecção de classes (que poderá ser apenas especulação minha – I ear voices in my head) mas forma irresponsável como uma investigação, que resultou na acusação de quase 2 dezenas de pessoas, foi conduzida. E mais, que sejam 2 erros de processo a fazer cair no ridículo, mais uma vez, toda a justiça portuguesa. Como se não bastasse as estratégias pouco claras dos advogados de defesa, agora até a policia e MP ajudam?

Thought byBoabdil at 16:14 0 humans wrote something  

I want to be a rabbit...



Rabbits spend all day eating and sleeping and fucking.

Women look at little rabbits and hug them and kiss them and say: beautiful little rabbit! So inocent.. clome closer and feel my warm breaths.

Rabbits make good stews! Humm… and their death is nearly painless.

I want to be a rabbit... they eat and sleep and fuck like rabbits.

Thought byBoabdil at 10:35 0 humans wrote something  

Se eu fosse uma cor seria o preto.

Este seria o estado absoluto de felicidade. A ausência total de todas as cores.

O branco é apenas a covardia disfarçada. Quem quer ser todas as cores em simultâneo? Gerada por um caleidoscópio de tudo?



Só no vazio, na ausência de tudo poderei ter a audácia de me encontrar finalmente. Liberto de todas as grilhetas que prendem o pensamento, as emoções, a criatividade. Concentrado apenas no acessório, para depois o subtrair, ficando com nada: o essencial.



Este seria o meu elixir da eterna juventude. Nadaria eternamente no nada de bom grado. Quem precisa de falsas convenções, sorrisos falaciosos, falas mansas. É o oco que preenche o branco. Amordaça-o. Fá-lo pensar que a alternativa ao branco será a não existência. E qual é o mal disto? O branco alguma vez existiu? Ou sobrevive enquanto os Homens não o substituírem por outro conceito qualquer, deixarem de reparar nele. Ou até os Homens deixarem de existir.



Deixem-me sonhar que um dia poderei repousar num limbo. No vazio absoluto. Um dia serei o Preto.

Thought byBoabdil at 16:23 0 humans wrote something