Tragam-me um balde de tinta
E a mancha alastra, inevitávelmente. Imparável. Começou como um pequeno ponto na parede, e embora estejamos os 2 a olhar para a parede, só eu me apercebo da gravidade do facto.
Por esta altura já começa a sobrepor-se aos quadros kitch que ornamentam as paredes. Em breve ocultará as fotografias que nos recordam um passado já tão distante temporalmente como curta foi a sua duração. O presente de hoje, foi o futuro de ontem, e será o passado de amanhã.
Vou ter de apagar a mancha com um mata-borrão mais forte que o normal. Apagar a minha memória ou em alternativa um de nós. Cara ou coroa? Eu escolho coroa. Os Reis tremem mas ficam de pé!
Podes ficar com teu quarto e a tua mancha. Vou-me embora, dormir ao relento. Na ausência de paredes espero não encontrar manchas.
A mancha só existe na minha cabeça. Mas não sou o único a sofrer as consequências da sua existência.
Thought byBoabdil at 06:00 0 humans wrote something
O mouro está feliz...
I believe in miracles
You sexy thing…
I believe in miracles
Since you came along
(were are from?)
You sexy thing
Este momento foi patrocinado por pastilhas elásticas Bubble-Bubble: o amor mastiga e deita fora que você sempre quis (e teve/tem), mas nunca teve coragem de assumir.
Thought byBoabdil at 11:36 0 humans wrote something
Areias movediças (O meu Presente)
São um fenómeno fantástico. Quando mais nos tentamos mexer e forçar uma saída.... mais nos enterramos.
A única solução para sair com vida é também a pior. Não nos mexer! Somos engolidos de qualquer das formas, mas mais lentamente. Com sorte, aparece alguém para nos puxar. E nem pensar em esbracejar. Esperar completamente imóveis. E quando chegar a ajuda, não podemos esperar unicamente pela corda salvadora. Podemos ajudar a nossa ajuda! Deitamos-nos nas areias (ou pelo menos tentar). É uma atitude bastante inteligente. Quando deitados, a superfície de contacto é maior e logo, é mais difícil sermos engulidos. Quando queremos ficar à tona de água o que fazemos? Boiar!
Por vezes alguém faz-nos coisas boas. Que nos fazem sentir bem. E por muito que se saiba que não esperam nada em troca, eu pelo menos, sinto-me na pele de quem tem de retribuir. E como? E quando?
Pior... Quando nos sentimos pressionados a fazer alguém feliz, movidos por um sentimento de retribuição (mesmo que a nossa vontade seja que essa pessoa se sinta bem em qualquer situação), o efeito pode ser contrário ao desejado. A pressão de que tudo tem de correr bem, que todas as coisas devem ser ainda melhor que as anteriores, pode ser (e é) um entrave ás nossas melhores intenções. E aquilo que começou por ser apenas um desejo de retribuição honesto, torna-se agora uma obrigação, nada sai de forma natural, e de cada vez que tento compensar, só prejudico.
Á tentação de retribuição cega, devo combater com um pensamento de que quem o fez não espera nada de mim, excepto: aquilo que eu sou. E que estou sempre presente, mesmo isso que não seja necessário.
Mais uma uma vez tenho de estra atento para não usar a solução mais óbvia, mas a mais racional. E a solução não é nadar, é boiar.
Thought byBoabdil at 11:26 0 humans wrote something
Eu sou a Verdade e a Vida
in jornal "o público"
Thought byBoabdil at 13:40 0 humans wrote something
Moral racional
Não te esqueças filho, não deves mentir, principalmente aos que te estão mais próximos...
"então porquê pai? porque jesus disse isso?"
Quem é que te meteu essas parvoices na cabeça?!?! Não ligues a moralismos de sacristia. A Razão é muito simples, quando descobres que alguém mentiu acerca de algo, por pequeno que seja, começas a questionar, de tudo aquilo que te foi dito,o que é farsa e o que é verdade. E é essa dúvida que há-de matar os dois.
Thought byBoabdil at 05:38 0 humans wrote something
A morte saiu à rua
A morte
Saiu à rua
Num dia assim
Naquele
Lugar sem nome
Pra qualquer fim (José Afonso)
Não foi a morte, mas o Mouro (já morto) que saiu decidido para a rua. Embora sem destino físico, a decisão estva tomada. Finalmente ia adquirir o meu casal de seres humanos. Tarefa simples, não fosse o obstáculo mais banal de todos. Para um projecto como este preciso de financiamenento. Os humanos podem ter custos de mautenção elevados, e eu não quero comprar uns quaisqueres, e já que os vou ter em casa, também não os quero insatisfeitos (penso mesmo em contratar uma ama para cuidar deles na minha ausência).
Fui a vários bancos pedir dinheiro (não possuo telefone para me sujeitar ás condições de escravatura financeira da cofidis e irmãs, e um Rei é apenas escravo dos seus pensamentos), mas em todos obtive uma mão cheia de negativas. E com razão. A mentira não é boa conselheira, e eu pequei. Nas agências bancárias disse que precisava deles como meus parceiros económicos nesta demanda. Custos baixos, basta que o 1º casal se reproduza com sucesso (e gere crias fêmeas preferencialmente), subcontrata-se uma empresa de acasalamento para as fecundar e no espaço de 2 gerações podemos ter dezenas de humanos. Para quê? Meus caros, as possibilidades estão apenas limitadas à vossa imaginação (tão curta quanto o vosso desejo reprimido em gravatas muito bem alinhadas)! As fêmeas poderão ser usadas para procriação, fecundadas apenas por espécimes seleccionados, ou, algumas menos fecundas e/ou especialmente dotadas em certas áreas, para tarefas iguais ás dos machos. Estes poderão ser usados como mão-de-obra barata na construção, na agricultura, na pesca, poderão ser educados para pintores, escultores, técnicos e cientistas das mais diversas áreas do conhecimento, poderão até ser treinados para vos substituir durante ausências forçadas em campos de golfe, (espanto-me frequentemente com a capacidade que os Humanos tem para aprender) e não é de olvidar a capacidade adpativa destes ás mais diversas condições meteorológicas e climáticas, a todos os sistemas políticos e sociais (acho até eles suportariam alegremente a alternância de regimes totalitários). São ou não são um óptimo investimento?
O meu emprestimo foi negado. Os bancos lucram mais se emprestarem dinheiro para uso pessoal, as taxas de juro para projectos com futuro são menores. Decidi então dizer a verdade. Eu quero um casal de seres humanos para meu deleite pessoal. Não pretendo um jipe nem uma casa de campo, quero apenas um casalzito de seres humanos! E finalmente deram-me dinheiro. E foi no Banco Espírito Santo (será que eles tem alguma relação com deus?)
Comprei-os em lojas separadas, queria que o seu conhecimento mútuo fosse mínimo. Acho que eles se tornam mais aborrecidos quando em bandos, que eles chamam pomposamente “Grupo de Amigos”.
Não vou perder em tempo a descrever-vos pormenorizadamente os casal, até porque vocês certamente já o imaginaram. Além do mais, qualquer casal entre os 18 e os 30 anos de vida serve para o meu projecto, eles são tão iguais na sua aparente diferença.
Levei-os para casa acondicionei-os na gaiola. E finalmente pude sentar-me no sofá a observar-vos.
Thought byBoabdil at 05:36 0 humans wrote something
Foda-se! (Voltei a cair na esparrela)
Agora já me lembro porque havia dito não o iria voltar a fazer tão cedo. Está tudo bem, mas...
o tempo começa a escassear, depois é o pensamento que vagueia. Ao princípio é bom. Tenho a cabeça, limpa, não penso nas coisas más, não me preocupo em demasiada com a minha “carreira”. Mas depois... passo a ter o pensamento ocupado só com isso. Não sobra espaço para mais nada. È o stresse de não querer fazer nada errado, mas não querer fingir quando algo está mal.
Lembras-te quando tudo começou? Bem disseste: “Desta vez vai ser diferente! Vou gerir as coisas à minha maneira. Vou ser como uma filial bancária: dependente do Banco central mas com reservas próprias.” E agora? Não passas de um vazio. Pior! O vazio era o que querias, mas agora estás preenchido com coisas irrelevantes. Pensamentos fúteis e vagos.
“Desta vez vou confiar totalmente. Eu agora já estou diferente. Já distingo o essencial do acessório. Estou mais maduro e forte. E bem, a confiança é tudo!” E a esquizofrenia onde está? Pensas que é só tomar uns comprimidos, umas doses de quando em vez e pensar que tudo está bem? Já ouviste falar em dessensibilização? Não achas melhor aumentar a dose? E quanto maior o sentimento de privação melhor saberá a próxima dose. È isso que prende não é? A próxima dose?
“A alegria que encontro em 7 minutos durante o dia é a anfetamina que me mantém coeso” Mas antecipas e deseja com ânsia ficar mais 2, 3 horas a consumir a dose descansado. E quando te apercebes que só o abismo te resta, resistes, entras em negação como o último suspiro de um moribundo... o mais forte de todos.
Sabes que mais... com todas as tuas fraquezas e defeitos, tens noção da realidade, mesmo que não tenhas forças para a alterar. E a tua angústia é compreensível. para quê estar com alguém, se não podemos usufruir de tudo o que ela nos pode oferecer?
Thought byBoabdil at 17:04 0 humans wrote something