"Sugar Man" - David Holmes (música muito aconselhavel. O Sr. é responsável, entre outras coisas, pela banda sonora do Ocean´s Eleven)



Sugar man, won't you hurry

'Cos I'm tired of these scenes

For a blue coin won't you bring back

All those colours to my dreams



Silver magic ships you carry

Jumpers, coke, sweet Mary Jane



Sugar man met a false friend

On a lonely dusty road

Lost my heart when I found it

It had turned to dead black coal



Silver magic ships you carry

Jumpers, coke, sweet Mary Jane



Sugar man you're the answer

That makes my questions disappear

Sugar man 'cos I'm weary

Of those double games I hear



Sugar man you're the answer

That makes my questions disappear

Thought byBoabdil at 07:36 0 humans wrote something  

Ping-Pong



“Ó Mouro, porque é que escreves coisas tão deprimentes?”

Deprimente é a Ágata! Eventualmente escrevo coisas depressivas. Estás tão preocupada com a pontuação e as vírgulas, mas não te preocupas com o significado dos termos que usas? Até pode ser verdade que as palavras nunca são aquilo que pretendemos, mas aquilo que os outros entendem, mas não custa nada ter mais cuidado com aquilo que se diz.



“mas não poderias escrever coisas mais alegres e divertidas (tu até tens algum jeito)? A vida já tão triste.”

Até pode ser triste, e se for esse o caso eu estou aqui apenas para lembrar que podia ser ainda pior. Que o riso de escárnio que baila na tua boca quando alguém escorrega e cai, a piada fácil de sexo que entendes mas recusas admitir, são apenas um sal impuro e contaminado, do qual te alimentas (in)conscientemente para alcançar o torpor da pobreza de espírito. A alegria virá quando tiveres consciencia do que és, e de que, para seres melhor do que os outros, basta que tentes apenas ser melhor do que tu própria. Parece uma daquelas verdades universais, não é? Então porque insistes em ficar feliz com as quedas dos outros?



“Escreves de uma forma tão complexa... não podias explicar aquilo que afinal queres transmitir? Só algumas pistas...”

Podia! Mas se o fizesse estaria a contaminar o teu pensamento. Todas as tuas reflexões iriam ter como ponto de partida as minhas próprias, e nesse ponto deixarias de ser livre. Talvez pudesse ser mais explícito do ponto de vista formal, situar melhor as minhas estórias, poli-las mais. Mas confesso a minha incapacidade para discernir o essencial do acessório quando escrevo. Acredita que é muito fácil ficar enebriado com as palavras per si, e chegar ao final com um prato de nouvelle cuisine, muito bonito mas... ou então como uma bela feijoada, demasiado pesado. Logo, entre escrever de menos e ser pouco explícito, ou escrever só aquilo que para mim é essencial....



“Acho que escreves estórias simples apenas porque te falta capacidade argumentativa!”

Mea culpa! Sim, já o admiti. Ao contrário doutros não consigo esvrever de forma lógica tudo aquilo em que penso. Por isso crio personagens, estórias, recorro a analogias, enfim recorro á minha criatividade. Nunca disse que queria escrever aqui pequenos ensaios acerca de tudo e de nada. Isso não me interessa. Mais do que as minhas próprias reflexões estou mais interessado em fazer reflectir. Considera-me o teu espelho.



“E não tinhas prometido a ti próprio não justificares nada daquilo que escreves, ou porque é que o fazes? Onde pára a tua coerência?“

A minha incoerência reflete a minha personalidade única.

Thought byBoabdil at 07:09 0 humans wrote something  

Snatch



Para quê insistir, e continuar a dar pérolas a porcos?

Pode ser que um dia eles se engasguem e morram.

Thought byBoabdil at 12:18 0 humans wrote something  

Uma estória de amor lamechas



O tótó e a tátá conhecem-se desde miúdos. E quando os níveis de hormonas se elevaram, apaixonaram-se.

O tótó era fiél. Quando a pupu, uma bela mulher, lhe quis ensinar um ou dois truques, para ele mostrar orgulhoso à sua tátá, ele orgulhosamente, e contra o resultado do referendo feito pelos amigos, recusou.

A tátá era virgem. Quando se chateou com o tótó (as zangas fazem parte de qualquer relação amorosa) pediu ajuda a um amigo do agora namorado-pause. Este amigo ajudou aliviando-a do peso da virgindade.

Passado uma semana tinham pressionado a tecla play do namoro, que seguiu feliz como nunca.

E agora?

O tótó e a tátá casaram, têm uma ninhada de pupus e ainda vivem felizes.

Tudo está bem quando acaba bem. Adoro estórias de amor felizes...

Thought byBoabdil at 06:35 0 humans wrote something  

Lítio e Cafeína



De facto não me apetece fazer nada. Queria um café e lítio se faz favor... já agora tem para aí uma janela com uma boa vista para cidade? Pode ser do 10º andar... suícidio?! Não! Sou demasiado covarde. Preciso apenas de testar uma guarda-chuva novo, disseram-me na loja que era especialmente resistente.



“lá estás tu outra vez!”

“achas mesmo que vais resolver alguma coisa com estas lamúrias?”

“é sempre a mesma coisa, sempre que algo não está bem ficas com essa cara de cachorro...”

“estás á espera que tenham pena de ti, não é?” “nem tu, nem nós acreditamos nessa treta”

Eu não quero que tenham pena de mim! Eu assumo todas as minhas decisões!

“ou a falta delas”

E qual o problema de ficar parado á espera que as coisas aconteçam por sí? Assim nunca erro, nem nunca sou rejeitado...

“pois, pois...”

“e esse travo amargo que fica na boca após as não-decisões...”

“e se?” “essa pergunta não te faz comichão por dentro?”

“claro que podes sempre ficar eternamente no sofá a imaginar que escreveste aquela carta, ou que fizes-te aquele telefonema...”

“... adivinha...”

“NÃO O FIZESTE!”

Mas isso foi uma não-opção minha!!!!! O ócio quando ataca pode ser o nosso melhor amigo, ficar á espera, como no útero, até ser violentamente empurados para o mundo. E se tiverem pena de mim?! Sim! Eu faço isso! E resulta! Eu sei que resulta, eu sou bom nisso... pelo menos nisso... que culpa tenho se os que me rodeiam caem no truque vez após vez, em vez de me espancar para me arrancar do torpor?

“queres violência?”

“por não a inflinges a ti próprio?”

"a única e possível solução para os teus problemas..."

“quais problemas?”

“pareces uma novela mexicana...”

“...esquizofrénico cor-de-rosa...”

“... andas a inventar problemas para te sentires triste...”

O riso assume para mim a importância da cocaína. Preciso de cada vez mais para me sentir bem, e quando caio em mim apercebo-me mais nítidamente do que me rodeia, quase que me observo do alto, triste...

“... pensas que os depressivos são mais criativos?”

“... talvez o sejam...”

“mas não pretendes afirmar que todos os drogados escrevem como o Jim ou como o Kurt?”

“pfui..”

“julgaste uma grande coisas por escrever aquilo que estas vozes te falam?”

“adivinha uma coisa...”

“... não és o único!”

“ser humano...”

“...temos pena de ti”

Mas escrevo! Tomei essa decisão! E nem que deixe de ter quem me leia, ou quem goste de o fazer, vou continuar a fazê-lo. Sim, isto é exercio de masturbação mental, associado ao voyerismo de uns quantos, mas é a ejeculação final que dá prazer. E quanto mais observam mais os meus movimentos ficam tolhados, e sinto os seus olhos a examinar-me, como eu lhes faço todos os dias sem eles saberem (condição essencial para testas as suas verdadeiras reações), sinto que começo a auto-limitar a minha criatividade...

“qual criatividade?”

“daqui a umas semanas estás a escrever lamechices...”

“... com coraçõeszinhos...”

“... bolas de sabão...”

“... atiradas por uma rancho de garotos louros e sardentos....”

“enquanto o seu lanche é comido pelos negros esfomeados...”

“... tudo numa harmonia feliz.”

“brincadeirinha...”

“nós sabemos que não o vais fazer...”

“(embora o desejes profundamente)”

“por não tens capacidade para tal!”

Obrigado pelo elogio. E sim, pretendo ser mais que a maioria. Aspiro à perfeição que recuso ver nos outros. Se não escrevi um livro, escrevo estes textos caóticos, não plantei uma árvore, mas semei milho, e não fiz um filho (felizmente), mas por vezes pratico.

“fracos substitutos...”

“...atreveste a comparar a masurbação ao acto de fazer amor!”

“nem a morte mereces...”

“... apodrece no teu sofá!”



Olhe já não quero o lítio. Fico-me pela caféina... preciso de falsa energia, para recuperar desta tareia.

Thought byBoabdil at 04:01 0 humans wrote something  

Parábola da água (ou como é difícil tomar decisões quando não sabemos o que queremos)



“Bom dia” Bom dia. Que vai tomar? “Uma água se faz favor” com ou sem gás? “…” fresca ou natural? “…” com ou sem sabor? E que sabor? “…” e tem preferência por alguma marca em especial? Temos luso, carvalheiros, vimeiro, castelo, Campilho, serra de estrela, das pedras, caramulo… “deixe estar. Já não quero água. Aliás, já não quero nada. Bom resto de dia para si.

Thought byBoabdil at 05:10 0 humans wrote something  

Almoço de família domingueiro.



Na televisão ainda a notícia dos ataques bombistas em Madrid. A minha mãe questiona, "mas qual a necessidade de matar tantas pessoas inocentes?" "isto é uma guerra. Conheces alguma guerra onde quam morre são os culpados e não os inocentes?" Este meu pai tem cada ideia mais estranha.

Thought byBoabdil at 16:09 0 humans wrote something