Imperialismo
Pensava em coisas fúteis, como "será que por um pais me dar pão, mesa e oportunidade de dar algo há humanidade, eu tenho o direito de criticar, o que quer que seja dessa nação?". Nada de original.
Mas de repente a verdade atingiu-me, como o cajado da Lúcia na nuca do Francisquinho, quando este abraçava fraternamente uma ovelhita. Quem me paga a bolsa é o NIH do segundo maior pais da America do Norte.
Serei um Imperialista?
Vou beber uma Pint de Guiness a pensar nisso.
Thought byBoabdil at 13:52 0 humans wrote something
Movies and consciousness
I went to the see a movie. Five of us in a car. Ecologically correct. Of course we only went there by car, because the cinema that is a 5 minute walk away is more expensive. The name of the movie? Syriana. Elegant story. Sometimes to predictable in terms of what we are expected to think after seeing it. I was led to think that somebody had to die so that could have the pleaser of seeing that movie. Do I care? Of course. That why I am flying next month.
Thought byBoabdil at 12:13 2 humans wrote something
Bubble Gum Boy
I am a bubble boy. Isolated from the rest of the world by these tick glass walls. I have no disease whatsoever that forces me to keep apart from my fellow species mates. I do breathe as any one of them. And yet, I feel as if I am different. One of the edges of a Gaussian curve.
The good part of bubble isolation that you can communicate with them, and yet none of theirs filthiness can touch me. No germs or bacteria, smoke or bad breath, and even their less-than-caveman ideas seem to soften through the glass and hit gently into my mind.
And it is a nice feeling to be aside. It seems to me as all the burden of living as vanished. Although I breed and I feel pain, my senses are numb. I am an ethereal body, whose main concern is to nurture myself. Keep me alive to continue observing.
That was how I felt in that night, at the pub. That is how I been feeling for the last weeks. I am the Observer. And they are all inside the bubble.
Thought byBoabdil at 03:41 0 humans wrote something
Qualquer dia e bom para nos lembrar-mos de Pessoa... e encontrei esta traducao...
I Am Tired
I am tired, that is clear,
Because, at certain stage, people have to be tired.
Of what I am tired, I don't know:
It would not serve me at all to know
Since the tiredness stays just the same.
The wound hurts as it hurts
And not in function of the cause that produced it.
Yes, I am tired,
And ever so slightly smiling
At the tiredness being only this -
In the body a wish for sleep,
In the soul a desire for not thinking
And, to crown all, a luminous transparency
Of the retrospective understanding ...
And the one luxury of not now having hopes?
I am intelligent: that's all.
I have seen much and understood much of what I
have seen.
And there is a certain pleasure even in tiredness
this brings us,
That in the end the head does still serve for
something.
(24.06.1935)
'Selected Poems' translated from Fernando Pessoa by J.Griffin.
Thought byBoabdil at 03:39 0 humans wrote something
Lady Pavlov
Um casal como tantos outros. Unidos pelo amor, pelo sexo e por várias razões de ordem prática que nos unem de forma puramente aleatória. E como nada se cria, nada se perde, mas tudo se move lá teve ele de partir para outro local, afastado fisicamente dela.
Um parêntese: () costumo opinar entre amigos que a maioria de nós homens somos básicos. Isto claro origina um coro de protestos do lado XX e XY. Não explicarei aqui o meu ponto de vista, mas acrescento que básico não é o mesmo que estúpido. Acrescento ainda que fico admirado pela forma como simples alteração da forma (ex: escrever Homem ao invés de homem) poderá fazer tanta diferença.
Continuando com a estória.
Quando foi embora ele deixou um ultimo pedido. Queria que ela continuasse a ter prazer sexual… com ele. Bem, pelo menos com ele no pensamento. Fazendo uso das novas tecnologias, e de alguma criatividade, sugeriu-lhe que de cada vez que ele se lembrasse dela, lhe “dava um toque” com o telemóvel. Ela por sua vez, teria de se masturbar imediatamente a pensar nele.
A sugestão foi prontamente aceite por ela.
Durante várias semanas e com frequência ele lembrava-se dela. Nestes momentos ela cumpria a sua parte do acordo e com a ânsia de quem necessita de carinho do companheiro, acariciava-se até o momento de êxtase final. Estes momentos de prazer revelarem-se tão ou mais intensos do que aqueles passado com o companheiro.
Enfim, as formas que encontramos para fazer perdurar as boas (poucas) sensações que a natura nos deu.
Um dia, numa festa tocou um telemóvel (imaginem só!!!). Ao princípio foi um toque subtil, mas que fez estremece-la, e um arrepio palmilhou as suas belas costas. Depois, como uma criança sedenta de atenção, o toque subiu de tom, num crescendo sinfónico, e com ele subiu também a pulsação dela… a cara ruborizou… a pulsação aumentou ainda mais… instintivamente colou as mãos ao colo acariciando-se languidamente… sentiu o latejar do corpo sedento de algo mais…
Passados alguns segundos, disfarçados pelo ruído da música, ouviram-se alguns gemidos vindos de um sofá, onde estava apenas uma rapariga com os olhos semicerrados – possivelmente a dormir, pensaram.
Nessa mesma noite, quando chegou a casa, telefonou-lhe para contar o que se tinha passado. Nessa mesma noite o casal deixou de existir (pelo menos segundo a definição social). Ele não aguentou o choque de saber que o toque de outros podia dar prazer à sua, agora ex-, companheira.
fotografia da autoria de Elyn
Thought byBoabdil at 11:14 0 humans wrote something
“...porque os homens sempre serão maus se por uma necessidade não forem tornados bons.”
As coisas que se sabem desde há tanto tempo.
In “O príncipe”, Nicolau Maquiavel
Thought byBoabdil at 06:50 0 humans wrote something
A chave do meu cérebro
Algumas teorias neurológicas atribuem a esquizofrenia, pelo menos em parte, à hipofunção cerebral, devido á interrupção da transmissão dopaminergica. Ou seja, quando os neurónio passam menos informação entre si. Discordo em absoluto. Concordo mais com a outra visão que atribui as alucinações ao aumento da actividade cerebral.E com conhecimento de causa.
Eu sou esquizofrénico sazonal. Não. A designação “sazonal” não é a melhor, mas digamos que quando bebo mais café e fico mais ansioso, mais alerta ao que me rodeia, começo a criar no meu cérebro tramas holiwoodescas (e não estabeleço qualquer relação causa/efeito entre a cafeína e a maior percepção da realidade). A cafeína excesso provoca um estado de ansiedade alucinada.
Estas tramas que no início são apenas devaneios, tornam-se cada vez mais densas, e por mais implausíveis que sejam eu assumo que se não aconteceu (apenas duvido porque me faltam provas concludentes), poderia muito bem ter acontecido. E sejamos francos, se algo pode acontecer, é como se fosse tão real com qualquer outra coisa. Falta de provas… pfui!! As pessoas inteligentes podem fazer o que querem sem ser apanhadas (eu que o diga). A falta de provas nunca provou nada. E qualquer sorriso, qualquer afirmação inocente, os olhares de esguelha no corredor, as frases sussurradas, tudo isso encaixa na minha trama. E sim, os humanos são cruéis, maliciosos, maquiavélicos. A única pessoa com quem sempre pude contar sou eu! Só eu me conheço! Eu sou o meu melhor amigo e só eu me posso fazer sofrer.
Mas o mais interessante acontece quando estou deitado, naquele estado de semi-inconsciência que antecede o sono. Começo a ouvir vozes. Elas são criadas pela minha imaginação, sei disso, e isso não é estranho. Mas agora imaginem que estão a ouvir rádio… podemos começar pela TSF… “o ministro justificou a medida com essencial ao progresso de país e a oposição contrapôs em uníssono que o equilíbrio orçamental e o progresso são coisas independentes”… agora aumentem o volume do rádio. Sim. Aumentem o volume do desse som que só existe na vossa cabeça. Aumentem até se tornar insuportável. E agora vão mudando de estação em estação… “se o meu amor me quiser, basta fazer-me um sinal…” “o médio lesionou-se no treino e antevê-se dificuldades no próximo embate da equipa…” “quero buzinar no meu calhambeque… Pipi… Pipi” “a situação no médio oriente degrada-se a cada dia que passa, e o roteiro de paz está mais uma vez em perigo…” tudo isto no vosso cérebro. As notícias, as musicas, os anúncios sucedem-se em catadupa na vossa cabeça, e vocês não conseguem parar, e nada disto é real, nada disto foi ouvido durante o dia, mas na minha cabeça tudo acontece com uma realidade impressionante. Eu tenho um controlador d volume de som no meu cérebro… e veio de série.
Há dias em que adormeço como um bebé. E sonho. Um dia acordei no meio de um sonho, e fiquei num estado de semi-inconsciência. Esse sonho, que não vou descrever, era apenas uma continuação das tramas urdidas no meu cérebro durante o dia. Acordei, e não quis voltar a adormecer. A antevisão do que sonharia em seguida fazia com que o meu coração se contrai-se, e uma mágoa imensa começou a afligir-me. Não queria voltar a adormecer, embora precisasse de descansar pois estava extenuado. Decerto que já vos aconteceu acordar, mas por algum tempo prolongarem semi-conscientemente os vossos sonhos. Muito agradável. É uma espécie de transição entre dois mundos. Um acordar perfeito, lento, cálido como o final de uma tarde de verão. Não muito agradável quando no sonho se reconstitui o pior dos vossos medos. Pior ainda se tiverem tendências masoquistas, se tornarem conscientemente o sonho pior do que estava ser. Não quis adormecer para não voltar ao sonho, mas ao ficar acordado o sonho tornou-se ainda mais nítido, juro que por momentos pensei que ele se materializou, e que tudo aconteceu naquilo a que chamamos realidade. Eu sou o melhor inimigo pois sou quem me conhece melhor.
“Lá estás tu com a mania que és esquizófrenico!”
“Isso é donça de rico e tu és pobre, pá! Tu és mas é louco! Esquizofrénico só porque ouves vozes na tua cabeça.”
“Nem louco ele é! Pensas que descrever as tuas supostas alucinações te vai tornar mais interessante?”
“E pesadelos!!! Come menos antes de te deitares. Ou pensas que és mais do que os outros?”
“bem-vindo de volta á mediocridade…”
“…de onde nunca saístes.”
Ainda vem que me trouxeram de volta é terra. Julgar que era diferente dos outros só porque ouço vozes na minha cabeça e acho que sou o divertimento de todos os que me rodeiam, quando bebo demasiado café. Onde é que eu estava com a minha cabeça?
Poderia deixar de beber café, a causa de todos os meus males. Mas também gostaria de me sentir desejado.
Esquizofrenia (sintomas) - ideias delirantes, pensamentos irreais, "ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo; as alucinações, percepções irreais"; ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequente as alucinações auditivo-visuais; pensamento e discurso desorganizado, elaborar frases sem qualquer sentido ou inventar palavras; alterações do comportamento, ansiedade, impulsos, agressividade. Perda ou diminuição das capacidades mentais acompanham a evolução da doença e reflectem um estado deficitário ao nível da motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais, como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social; apatia; indiferença emocional; pobreza do pensamento. (fonte: wikipedia)
Thought byBoabdil at 12:29 0 humans wrote something