Nature vs Nurture (2)

Aceito – não tenho mesmo outro remédio – que um Homem superior a mim por o que a Natureza lhe deu – o talento, a força, a energia; Não aceito que ele seja meu superior por qualidade postiças, com que não saiu do ventre da mãe, mas que lhe aconteceram por bambúrrio logo que ele apareceu cá fora – a riqueza, a posição social, a vida facilitada, etc.…

”O banqueiro anarquista”, Fernando Pessoa

Thought byBoabdil at 10:53 0 humans wrote something  

Desrespeito

Um 1 cada 3 protugueses não se interessa pelo destino do país. Mas todos querem ter pão na mesa.

Thought byBoabdil at 07:16 0 humans wrote something  

Politica e Poder

"Porque poderá haver poder sem subserviência, mas esta não existe sem poder", belas palavras caro Nilson. Porque eu não nego o poder (a anarquia não parte do meu cardápio sócio-político), mas é possível aceitar o poder sem se lhe ser subserviente.
Devo dizer que em TEORIA nenhuma forma de poder ou organização política ou social é necessariamente má (com excepção para as que restringem as liberdades individuais). O grande problema é que todas elas (Marximismo, Liberalismo, Presidencialismo, Monarquias...) são humanas. Tem falhas. Os campos de deportação na Sibéria não são um erro do marximismo, mas dos Homens que em nome dele governaram. O nosso sistema político não é intrinsecamente mau, mas antes os políticos que o mantêm (e nele se mantêm) é que o tornam mau. Quanto ao poder do povo… Alguém uma vez disse que “um país é o reflexo das suas elites” mas não serão as elites criadas pelo povo?

Thought byBoabdil at 05:17 0 humans wrote something  

Irmã Lúcia, Padroeira dos hipócritas



O local onde exerço a minha actividade fica mesmo em frente á Igreja onde esteve o corpo da Irmã Lúcia. Enquanto desfilavam personalidades, perdão, personagens e populares em frente ás câmaras de televisão e ao aparato mediático que envolveu as cerimónias fúnebres desta personalidade que curiosamente até tinha feito um voto de silêncio, numa das janelas deste edifício estavam alguns “intelectuais iluminados”.

Estes passaram a tarde a observar, quais abutres do alto das arvores, tudo o que se passava na praça. E comentavam entre si o espectáculo patético que era tudo aquilo em volta do funeral. Daí passaram para a agressão gratuita aos crentes e às expressões tão banais e tão enraízas na nossa língua como “deus queira que ganhe o Benfica”. E a hipocrisia de políticos e pesudo-VIP’s que tudo fazem para aparecer em frente a uma objectiva. Falavam da falta de inteligência de pessoas que fizeram excursões E assim passaram a tarde empoleirados na secretária junto da janela.

Eu passava de um lado para o outro nos corredores pensando que a hipocrisia tanto existe a céu aberto como no interior de edifícios imponentes.


Fotografia por Bodikea

Thought byBoabdil at 05:41 0 humans wrote something  

Muralhas do Poder



A vida fora do castelo seguia plácida e cada um regulava a sua vida pelo seu relógio circadiano, oferta do bom deus, e a bem dizer o único bem que possuíam.



Um marido enraivecido pelo ciúme procura a sua mulher, “deve estar embrulhada com o padeiro, aquelas mãos que amassam e dão forma ao pão macio também assim amassarão e darão forma ao prazer carnal da minha mulher”. Noutro ponto da aldeia uma mulher é violada por um grupo de soldados que á falta de melhor soldo, matam assim uma fome de cariz diferente. Quem sabe não será a mulher que alguém procura por ciúme, e quem sabe á noite, ao invés de lhe curar as feridas lhe irá marcar ainda mais o corpo. Não são só os animais que marcam território.



Nestes tempos trabalha-se enquanto á sol e quando ele se põe ruma-se ao lar. Come-se algum pão duro com carne de salmoura enquanto arde a lenha reservada, e poupada, para aquela noite. Não são precisas velas de azeite nem outras comodidades. Quem nada tem não pode nunca desperdiçar. E a luz para que servirá? Para ler? As gentes simples do povo não sabem sequer que a palavra existe noutra forma que não aquela que lhes chega ao ouvido. E mesmo que soubessem, para que serviria um livro quando se tem de trabalhar sob o chicote da fome e dos senhores. Quando a preocupação é alimentar o castelo e só depois o seu próprio estômago não tempo para o supérfluo. E dorme-se nas palhas que amanhã serão dadas como alimento aos animais.







O sol que passava através das muralhas do castelo era apenas uma fracção do que estava para lá dos blocos de pedras ordenados para a segurança da “população do castelo”, assim o diziam os Nobres. Assim segue a vida dentro e fora do castelo. Uns são apenas escravos de outros. As terras e o produto pertencem aos Nobres. Os frades asseguram que Deus é o dono de tudo, mas são eles os administradores dos bens terrenos de Deus.



O poder provém da subserviência que lhe está implícita.





P.S- Os meus agradecimentos à Elyn pela fotografia.

Thought byBoabdil at 08:04 0 humans wrote something  

Agenda



Encontro de Bloggers em Aveiro no dia 18 de Fevereiro às 21:30, na livraria O Navio de Espelhos.



Este encontro partiu de uma sugestão do Barão d'Holbach e tem sido organizado pela Diva. Mais info aqui.



Aqui fica o meu convite Real.

Thought byBoabdil at 07:59 0 humans wrote something  

Lacrimejar Fisiológico







Ontem noite comecei a ficar deprimido. Faltava-me qualquer coisa para me animar, para aumentar o meu amor-próprio. Farto de chocolates, decidi ir ao armário buscar alguns miminhos. Tenho sempre alguns guardados num pote para qualquer emergência. Mas esqueci-me que ultimamente tenho consumido demais, ou melhor os que tenho consumido, embora mais do que o normal, não supriram as minhas carências afectivas.



Não tinha miminhos no pote!!!



Passado o choque inicial fui á procura de prozacs… porra, dei-os a amigos mais carenciados. Por falar em amigos, acariciei-me a mim próprio, eu sou o meu melhor amigo e os amigos são para as ocasiões. Souberam-me bem as minhas carícias, mas aquilo que eu queria era diferente, tinha de vir de terceiros. E como tudo na vida tem uma solução, nem que seja a morte, fui a uma loja perto de casa comprar um saco de miminhos. Tinha-os vista na montra quando por lá passei, e no folheto parecia ser um produto com qualidades.



Em casa quando abri a embalagem deparei-me com uma boca sensual e dona de um sorriso de estarrecer. Comecei logo a ficar animado e o nível de amor-próprio subiu uns degraus… O que é isto?!?! A boca está morder-me os calcanhares?!? E o sorriso afinal é de escárnio? Bateu forte no meu cérebro a sensação de ter sido mais uma vítima de publicidade enganosa! Que horas são? Tarde mais, a loja já encerrou! Vou ter de ficar com esta boca durante uma noite inteira.







Descobri nessa noite que a boca falava tal como prometido no panfleto, mas para pena minha, as frases que brotavam em catadupa serviam apenas apenas seu deleite. Para manter vivo o sorriso que escarnecia de mim mesmo que me abstraí-se das palavras. Mas eu não consegui faze-lo. Poderia simplesmente ter destruído a boca, mas fazia-me falta a companhia. E claro, já tinha investido nela, queria pelo menos o reembolso do dinheiro (Não sou forreta, sou poupado!).



De manhã, com a boca debaixo do braço e o ego no lixo, lá foi outra vez á loja. Quando pensei que me ia ver livre deste instrumento de tortura, fiquei triste… amargurado. Tinha-me afeiçoado àquele sorriso e ás frases tão cáusticas que terei de trocar alguns móveis lá em casa. Não chorei porque os homens não choram, mas confesso que o vento frio matinal, a bater nos meus olhos, provocou uma lacrimação fisiológica.



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