Lacrimejar Fisiológico







Ontem noite comecei a ficar deprimido. Faltava-me qualquer coisa para me animar, para aumentar o meu amor-próprio. Farto de chocolates, decidi ir ao armário buscar alguns miminhos. Tenho sempre alguns guardados num pote para qualquer emergência. Mas esqueci-me que ultimamente tenho consumido demais, ou melhor os que tenho consumido, embora mais do que o normal, não supriram as minhas carências afectivas.



Não tinha miminhos no pote!!!



Passado o choque inicial fui á procura de prozacs… porra, dei-os a amigos mais carenciados. Por falar em amigos, acariciei-me a mim próprio, eu sou o meu melhor amigo e os amigos são para as ocasiões. Souberam-me bem as minhas carícias, mas aquilo que eu queria era diferente, tinha de vir de terceiros. E como tudo na vida tem uma solução, nem que seja a morte, fui a uma loja perto de casa comprar um saco de miminhos. Tinha-os vista na montra quando por lá passei, e no folheto parecia ser um produto com qualidades.



Em casa quando abri a embalagem deparei-me com uma boca sensual e dona de um sorriso de estarrecer. Comecei logo a ficar animado e o nível de amor-próprio subiu uns degraus… O que é isto?!?! A boca está morder-me os calcanhares?!? E o sorriso afinal é de escárnio? Bateu forte no meu cérebro a sensação de ter sido mais uma vítima de publicidade enganosa! Que horas são? Tarde mais, a loja já encerrou! Vou ter de ficar com esta boca durante uma noite inteira.







Descobri nessa noite que a boca falava tal como prometido no panfleto, mas para pena minha, as frases que brotavam em catadupa serviam apenas apenas seu deleite. Para manter vivo o sorriso que escarnecia de mim mesmo que me abstraí-se das palavras. Mas eu não consegui faze-lo. Poderia simplesmente ter destruído a boca, mas fazia-me falta a companhia. E claro, já tinha investido nela, queria pelo menos o reembolso do dinheiro (Não sou forreta, sou poupado!).



De manhã, com a boca debaixo do braço e o ego no lixo, lá foi outra vez á loja. Quando pensei que me ia ver livre deste instrumento de tortura, fiquei triste… amargurado. Tinha-me afeiçoado àquele sorriso e ás frases tão cáusticas que terei de trocar alguns móveis lá em casa. Não chorei porque os homens não choram, mas confesso que o vento frio matinal, a bater nos meus olhos, provocou uma lacrimação fisiológica.



Thought byBoabdil at 10:19 0 humans wrote something  

Bolas de Futebol



As bolas de futebol são um case-study psicológico interessante. Senão vejamos: são criadas para um objectivo final que passa da pura diversão; a escolha de determinada bola de futebol (entre várias e um determinado modelo) num determinado momento é aleatória, ou melhor depende da proximidade e disponibilidade que esteja de um jogador; passam de mãos, perdão, de pé em pé sem possibilidade de escolha; se os remates saem ao lado a culpa é da bola (ou da sapatilha), mas nunca do jogador; e finalmente levam pontapés nos jogos de futebol, e independentemente do facto de um golo ser marcado ou não, são trocadas da forma aleatória durante o jogo.



O mais interessante é que no jogo seguinte estão dispostas a levar pontapés e socos, murros, cabeçadas, pelo simples prazer de contactar com os jogadores, sem nunca dizerem basta, ou sequer se indignarem. Num acesso de esquizofrenia, já vi bolas a sorrir pelo seu destino. E sabem de quem é o mérito dos golos marcados não sabem? Do jogador. Do goleador da equipa.



E na época seguinte lá são elas substituídas por um modelo melhor, enfim, mais recente, não necessariamente mais bonito. Algumas ficam para os treinos das equipas B, mas no fim da sua vida, já ninguém as quer, ninguém se lembra delas. Quando já não pertencem á memória de alguém, sofrem a rejeição absoluta.



Conheço várias bolas de futebol que o são por destino. As bolas se futebol não tem vontade própria pois não?

Thought byBoabdil at 09:14 0 humans wrote something  

Pão e circo



O que o povo quer é pão e circo!

E circo vamos ter até 20 de Fevereiro. E nessa altura vamos também ter pão. Vão estar uns palhaços no meio da arena circense a atirar as mesmas carcaças rijas e bolorentas aos ainda mais palhaços da assistência. Ainda mais palhaços porque pagam entrada cara demais para o espectáculo deprimente que vão assistir. E os que de palhaços só tem o hábito, aqueles do meio da arena, esfregam as mãos de contentamento a imaginar o dinheiro da entrada já em caixa. E enquanto houver dinheiro o espectáculo continua.



Nunca falta audiência para este circo. E o pão escasseia.

Thought byBoabdil at 08:24 0 humans wrote something  

Comunicado de Imprensa:



lamento informá-los (ar pesaroso), mas deus está morto, e foi o homem abominável quem o matou.



Fui eu.

Thought byBoabdil at 08:05 0 humans wrote something  

O Fim…



As árvores morrem de pé!





Ou então são cortadas por indígenas pobres a mando de madeireiros sem escrúpulos.



…das Gueixas



Temos é de salvar as baleias... e os golfinhos... e a floresta amazónica... e os animais com pele... e salvar, porque não, a camada de ozono.



Um dia destes salvamos os pretinhos que nos cosem as bolas de futebol e os sapatos de vela. E pelo caminho damos uma lição aos orientais bárbaros que possuem gueixas, e as obrigam a usar ligaduras nos pés.





Cinturas de vespa, lábios grossos, seios enormes e erectos, isso sim é civilização! Nem que se tenha de recorrer aos milagres da cirurgia reconstrutiva. Se um alpinista pode ter um nariz que é parte da testa, porque não poderíamos nós injectarmos silicone nos lábios. Não o poder fazer seria imoral! Que a saúde mental não se compra… mas as lipoaspirações sim!





Todos temos direito á nossa insanidade particular. A minha é acabar com as gueixas.





Thought byBoabdil at 10:54 0 humans wrote something  

2005



GET MILES, Gomez



I love the silence but this silence killing me

Sitting here in silence, man I don't get no peace

The wave upon my shore take me away piece by piece

Gonna leave everything I know gonna head out towards the sea

Jump off this island gonna head out towards the sea





I love this city man but this city's killing me

Sitting here in all this noise man I don't get no peace

The cars below my street take me away piece by piece

Gonna leave everything I know gonna head out towards the sea

Gonna leave this city gonna head out towards the sea



Get miles away, get miles away, get miles away

Get miles



I love this planet but this planet's killin' me

Sitting here in all this grass man I don't get no weed

The sweat comin' from my pores take me away piece by piece

Gonna leave everything I know gonna head to the galaxy

Gonna leave this planet man gonna head to the galaxy



Get miles away, get miles away, get miles away, get miles away,

get miles away, get miles away, get miles away

Get miles

Thought byBoabdil at 12:01 0 humans wrote something  

A minha mensagem de Natal



Para começar devo fazer aqui um acto de contrição, e repudiar publicamente o que escrevi antes acerca do Natal (10 e 24 de Dezembro 2003). A minha alma andava por essa altura dilacerada pelas paredes que desabavam em meu redor, não havia de me atingirem. O natal é na realidade uma época festiva e bonita. Uma época de união.



Passo na rua e que vejo eu num feriado solarengo: ricos e pobres a caminharem lado a lado, pensativos na forma de como usar o dinheiro das instituições Bancárias. Nada preocupados. Sorridentes, bem-dispostos que a vida são 2 dias: a véspera de Natal e a noite de passagem de ano. E os filhos de braço dado com os pais, sapato de vela herdado geneticamente.



Artistas consagrados, alguns a caminho do seu 2º álbum, a actuarem de borla para dar alguma alegria aos que sofrem nos nossos hospitais. Devo dizer que compreendo por razões puramente artísticas, algumas cantoras usem roupas curtas e coladas ao corpo. Certamente, que será com a melhor intenção, e na arte tudo é permitido, mas seria bom que elas pensassem que alguns dos internados sofrem de cancro da próstata, e numa altura que vão perder parcialmente os órgãos genitais, é quase sádico que tenham de se sujeitar a ver mulheres semi-nuas. Fica o reparo para “natais dos centro de saúde” futuros. A organização destes eventos magníficos fica ao cargo de estações televisivas apostadas em dar a conhecer o que de melhor se faz por cá (em Portugal) para bem da nossa cultura. Isto sim é serviço público!



E mesmo em recessão é bom de notar que perdura o espírito natalício nas empresas e locais de trabalho. Subordinados, que ainda não sabem o significado de downsizing e layoff, oferecem prendas aos superiores. Estes, aceitam as prendas a contra-gosto, e apenas para não fazerem a desfeita aos seus inferiores em ordenado, que isto de viver em sociedade obrigada a estes sacrifícios.



Eu agora já gosto do Natal e do Pai Natal, das decorações kitsch e da música do Kenny G. (será que ele é parente dum tal de ponto G?). Dos e-mails pirosos de natal e das mensagens padronizadas. Tudo isto é Natal! Que o Natal dure por muitos e bons anos!

Thought byBoabdil at 06:44 0 humans wrote something