As bolas de futebol são um case-study psicológico interessante. Senão vejamos: são criadas para um objectivo final que passa da pura diversão; a escolha de determinada bola de futebol (entre várias e um determinado modelo) num determinado momento é aleatória, ou melhor depende da proximidade e disponibilidade que esteja de um jogador; passam de mãos, perdão, de pé em pé sem possibilidade de escolha; se os remates saem ao lado a culpa é da bola (ou da sapatilha), mas nunca do jogador; e finalmente levam pontapés nos jogos de futebol, e independentemente do facto de um golo ser marcado ou não, são trocadas da forma aleatória durante o jogo.
O mais interessante é que no jogo seguinte estão dispostas a levar pontapés e socos, murros, cabeçadas, pelo simples prazer de contactar com os jogadores, sem nunca dizerem basta, ou sequer se indignarem. Num acesso de esquizofrenia, já vi bolas a sorrir pelo seu destino. E sabem de quem é o mérito dos golos marcados não sabem? Do jogador. Do goleador da equipa.
E na época seguinte lá são elas substituídas por um modelo melhor, enfim, mais recente, não necessariamente mais bonito. Algumas ficam para os treinos das equipas B, mas no fim da sua vida, já ninguém as quer, ninguém se lembra delas. Quando já não pertencem á memória de alguém, sofrem a rejeição absoluta.
Conheço várias bolas de futebol que o são por destino. As bolas se futebol não tem vontade própria pois não?
Thought byBoabdil at 09:14 0 humans wrote something
Pão e circo
O que o povo quer é pão e circo!
E circo vamos ter até 20 de Fevereiro. E nessa altura vamos também ter pão. Vão estar uns palhaços no meio da arena circense a atirar as mesmas carcaças rijas e bolorentas aos ainda mais palhaços da assistência. Ainda mais palhaços porque pagam entrada cara demais para o espectáculo deprimente que vão assistir. E os que de palhaços só tem o hábito, aqueles do meio da arena, esfregam as mãos de contentamento a imaginar o dinheiro da entrada já em caixa. E enquanto houver dinheiro o espectáculo continua.
Nunca falta audiência para este circo. E o pão escasseia.
Thought byBoabdil at 08:24 0 humans wrote something
Comunicado de Imprensa:
lamento informá-los (ar pesaroso), mas deus está morto, e foi o homem abominável quem o matou.
Fui eu.
Thought byBoabdil at 08:05 0 humans wrote something
O Fim…
As árvores morrem de pé!
Ou então são cortadas por indígenas pobres a mando de madeireiros sem escrúpulos.
…das Gueixas
Temos é de salvar as baleias... e os golfinhos... e a floresta amazónica... e os animais com pele... e salvar, porque não, a camada de ozono.
Um dia destes salvamos os pretinhos que nos cosem as bolas de futebol e os sapatos de vela. E pelo caminho damos uma lição aos orientais bárbaros que possuem gueixas, e as obrigam a usar ligaduras nos pés.
Cinturas de vespa, lábios grossos, seios enormes e erectos, isso sim é civilização! Nem que se tenha de recorrer aos milagres da cirurgia reconstrutiva. Se um alpinista pode ter um nariz que é parte da testa, porque não poderíamos nós injectarmos silicone nos lábios. Não o poder fazer seria imoral! Que a saúde mental não se compra… mas as lipoaspirações sim!
Todos temos direito á nossa insanidade particular. A minha é acabar com as gueixas.
Thought byBoabdil at 10:54 0 humans wrote something
2005
GET MILES, Gomez
I love the silence but this silence killing me
Sitting here in silence, man I don't get no peace
The wave upon my shore take me away piece by piece
Gonna leave everything I know gonna head out towards the sea
Jump off this island gonna head out towards the sea
I love this city man but this city's killing me
Sitting here in all this noise man I don't get no peace
The cars below my street take me away piece by piece
Gonna leave everything I know gonna head out towards the sea
Gonna leave this city gonna head out towards the sea
Get miles away, get miles away, get miles away
Get miles
I love this planet but this planet's killin' me
Sitting here in all this grass man I don't get no weed
The sweat comin' from my pores take me away piece by piece
Gonna leave everything I know gonna head to the galaxy
Gonna leave this planet man gonna head to the galaxy
Get miles away, get miles away, get miles away, get miles away,
get miles away, get miles away, get miles away
Get miles
Thought byBoabdil at 12:01 0 humans wrote something
A minha mensagem de Natal
Para começar devo fazer aqui um acto de contrição, e repudiar publicamente o que escrevi antes acerca do Natal (10 e 24 de Dezembro 2003). A minha alma andava por essa altura dilacerada pelas paredes que desabavam em meu redor, não havia de me atingirem. O natal é na realidade uma época festiva e bonita. Uma época de união.
Passo na rua e que vejo eu num feriado solarengo: ricos e pobres a caminharem lado a lado, pensativos na forma de como usar o dinheiro das instituições Bancárias. Nada preocupados. Sorridentes, bem-dispostos que a vida são 2 dias: a véspera de Natal e a noite de passagem de ano. E os filhos de braço dado com os pais, sapato de vela herdado geneticamente.
Artistas consagrados, alguns a caminho do seu 2º álbum, a actuarem de borla para dar alguma alegria aos que sofrem nos nossos hospitais. Devo dizer que compreendo por razões puramente artísticas, algumas cantoras usem roupas curtas e coladas ao corpo. Certamente, que será com a melhor intenção, e na arte tudo é permitido, mas seria bom que elas pensassem que alguns dos internados sofrem de cancro da próstata, e numa altura que vão perder parcialmente os órgãos genitais, é quase sádico que tenham de se sujeitar a ver mulheres semi-nuas. Fica o reparo para “natais dos centro de saúde” futuros. A organização destes eventos magníficos fica ao cargo de estações televisivas apostadas em dar a conhecer o que de melhor se faz por cá (em Portugal) para bem da nossa cultura. Isto sim é serviço público!
E mesmo em recessão é bom de notar que perdura o espírito natalício nas empresas e locais de trabalho. Subordinados, que ainda não sabem o significado de downsizing e layoff, oferecem prendas aos superiores. Estes, aceitam as prendas a contra-gosto, e apenas para não fazerem a desfeita aos seus inferiores em ordenado, que isto de viver em sociedade obrigada a estes sacrifícios.
Eu agora já gosto do Natal e do Pai Natal, das decorações kitsch e da música do Kenny G. (será que ele é parente dum tal de ponto G?). Dos e-mails pirosos de natal e das mensagens padronizadas. Tudo isto é Natal! Que o Natal dure por muitos e bons anos!
Thought byBoabdil at 06:44 0 humans wrote something
Lingua Portuguesa
“Da mesma forma que uma multidão sem conta de igrejas e mosteiros se espalha, com suas cúpulas domos e cruzes, pela vasta e piedosa Rússia, assim uma multidão sem conta de raças, povos e nações se comprime e agita á superfície da terra. Cada povo possui em si próprio uma reserva de forças, determinadas faculdades criadoras e, particularidades bem definidas e ainda outros dons que Deus lhe deu. Mas de todos esses dons, o que o caracteriza, o distingue e melhor reflecte o seu carácter, é o verbo. A língua inglesa exprime um conhecimento profundo da alma humana e uma judiciosa compreensão da vida; a francesa cintila em clarões efémeros; alemã rumina laboriosamente uma frase profunda cujo sentido escapa a muita gente. Mas não há no mundo palavra tão completa, tão espontânea, tão estuante de vida, como a palavra russa aplicada a preceito.”
Nikolai Gogol, Almas Mortas 1841
E a língua portuguesa? Língua de poetas. Língua do maior de todos os que habitaram a modernidade: Camões!… ou será o Sramago?...hummm… Pessoa foi genial, e a esquizofrenia ficava-lhe bem!
Que língua fascinante é esta que tanto pode cantar as belezas femininas endeusando-as numa cantiga de amigo, e logo de seguida cobri-la de vergonha na praça pública com o escárnio de algumas cantigas. A língua de ridendo castigat mores e do teatro de revista. Nesta língua das frases sussurradas, onde as palavras tem mais do que um significado, e significam sempre o que os outros entendem.
“Vende chouriça?”
“Só se for da grossa! E a menina com esse ar triste está mesmo a precisar dum belo chouriço… não fique chateada! Assédio? Não! Sou apenas um pobre vendedor de enchidos, o mal está todo na sua cabeça, menina. Eu apenas faço propaganda ao meu material.”
Só nesta língua (ou deverei dizer idioma?) os verbos meter, enfiar, enterrar, sugar, lamber, comer, chupar, já para não falar das expressões todo lá dentro, agarra-me aqui, está todo? Preferes com força? Vais por detrás, ou pela frente? E tantas outras têm tantos significados.
Não é só o homem do chouriço que faz jogos de palavras. Todos nós, a começar por mim, fazemos insinuações (acompanhadas de um sorriso matreiro ou uma piscadela de olho) que não passam de filhos bastardos, rejeitados á nascença postos no mundo para todos mas sem ninguém assumir responsabilidades… “Não foi eu que disse, tu é que entendestes dessa forma”. Idioma dos fracos, covardes que não coragem de dizer o que lhes vai na alma, e quando o dizem negam qual criança malcomportada quando parte um vaso.
O português é óptimo para falar, falar e não dizer nada! Usa palavras que nem sabia que existiam se um qualquer político não a tivesse resolvido usar porque a viu num dicionário aberto aleatoriamente. E durante umas semanas anda toda a gente com aquilo na boca… é o contraditório… uma cabala (leiam Richard Zimler se quiserem saber que o é a cabala)… o défice…
Será a língua que define o que somos? Se usamos um idioma dado á covardia e á irresponsabilidade a culpa não é nossa pois não?
Thought byBoabdil at 09:08 0 humans wrote something