Human culture



Como todos sabem os humanos crescem em árvores. É por isso relativamente fácil chegar ao pé de uma destas, arrancar o que mais nós convêm, e dar-lhe o uso que mais nos apraze: liquefazer em sumo/batido, fazer saladas com várias variedades, dá-los a comer aos animais caso sejamos empresários de pecuária.









Eu tenho um grande problema, que resulta da minha estatura mediana: não consigo alcançar os que crescem nos topos das árvores (crescem mais fortes pois não há quem lhes faça sombra). Apenas estão ao meu alcance os que crescem nos ramos mais baixos, ou crescendo em ramos mais elevados, crescem em grande número, e com a ajuda gravidade forçam o ramo a baixar.



“E os que caem no chão? Despreza-los?”



Bem… Sim!!! Deixem-nos apodrecer que o seu tempo já passou.



“E não os usas como alimento dos animais?”



Raramente, que os meus porcos gostam é de pérolas. E prefiro dos que tem bicho, pois como se diz lá minha terra, “maçã que tem bicho é porque o remédio não lhe tocou”!



Por isso vou continuar a levar para casa a fruta que quero e que consigo apanhar. Pode ser que um dia tenha acesso a todos os humanos, nessa altura relatarei o uso que lhes dei e o prazer que isso me deu.





Thought byBoabdil at 07:32 0 humans wrote something  

Lex Natura



Quando era miúdo resolvi passar o tempo a observar os casais de pombos que esvoaçavam perto de minha casa. Pombos tão branquinhos… tão monótonos.



Como criança que era (e sou) detestava a monotonia. Peguei na minha pressão de ar para dar um pouco mais de cor ao cenário. Um tiro certeiro e… Acabei com a monotonia! O vermelho do sangue a escorrer pelas penas branquinhas fez-me lembrar os beirais da casa em plenas chuvadas de Inverno.



As crianças possuem requintes de malvadez (inocente?) dignos de um livro do Marquês, dum filme do consagrado Arquitecto, ou, no seu expoente máximo, de algumas passagens da Bíblia que alguns consideram sagrada. Poderia discorrer acerca de como os crentes se podem considerar crianças ainda à espera do auge intelectual, mas não o farei por respeito ás crianças que hão-de realmente crescer.

Estava a falar de malvadez. Eu, criança, quando dei cor ao pombo (XX ou XY, não interessa) fi-lo apenas a um dos consortes. O meu propósito? Bom, eu já na altura tinha umas pinceladas de etólogo, principalmente de Homo sapiens (reparem que o nome científico está formalmente correcto). Queria apenas saber como se comportaria a outra metade do casal. Ficaria estarrecido a observar o seu parceiro a morrer (qual condutor que para no meio da via para ver os destroços dos acidentes – chapa e ossos), mesmo sabendo que o seu final estaria próximo? Ou então, será que ficaria num estado de letargia, induzida pelo choque, tão intenso que nem lhe ocorreria fugir? Ou fugiria covardemente, perdão, pragmaticamente, antes que tivesse o mesmo fim da sua cara-metade? (as contas são fáceis, ½ é maior que 0/0, que não se pode calcular)



Bom, a natureza manda que o único objectivo (ou o objectivo final) seja a perpetuação da espécie, ou seja, se tivermos tempo e energia para executar uma única acção, essa acção deverá ser a cópula! E morreu um dos membros do casal, mas não o outro. E a natureza manda.

Thought byBoabdil at 10:18 0 humans wrote something  

Masturbação Social



Vem, vem à minha casa

rebolar na cama e no jardim

acender a ignomínia

e a má língua do código pasquim

que nos condena numa alínea

a ter sexo querubim




Bairro do Oriente, Rui Veloso

Thought byBoabdil at 10:53 0 humans wrote something  

Lagartos



No meu descanso fúnebre no Norte de Àfrica, tenho tido a oportunidade de conversar muito com os lagartos que por lá habitam. Animais interessantes: parcos em palavras, mas soltos de lingua!



nota: os 2 ou 3 leitores deste blogue de um morto devem estar a pensar "então o Zogobozo... porra, o Rei, não escreve nada há secúlos, e depois 32 palavras e já está! frouxo!!"

mas meus caros, nestas parcas palavras está mais sabedoria contida do que o que obtiveram nos últimos dias da vossa patética e fútil existência. Se não perceberam as palavras, visitem-me e tragam o Lobo Antunes, para vos sepultar os cérebros. Preciso de companhia.

Thought byBoabdil at 10:27 0 humans wrote something  

Os coelhinhos são animais lindos e bonitinhos.



Era uma vez um coelho engatatão, que vivia rodeado de coelhinhas. Ele gostava de todas elas, e também de si mesmo.







Existia também um coelho inteligente e sozinho. Quando descobriu que também era razoavelmente bonito, passou a estar com algumas coelhas.









O coelho engatatão descobriu que afinal era gay.







Repensou toda a forma de tratar as coelhinhas que quando gostavam dele, as abandonava, deixando-as em pranto abundante. E passou a viver rodeado de coelhinhos.



O coelhinho inteligente, pensou que estava na altura de fazer render o seu intelecto e, porque não dizê-lo, charme, e resolveu ser empresário: abriu uma casa de meninas, perdão, coelhinhas.







Como acaba esta estória? De forma similar para dois, para todos nós. Vejam por vocês mesmos:









Thought byBoabdil at 05:12 0 humans wrote something  

Survival







"Conheci uma rapariga que estava a fazer estágio quando entrei no serviço. Passado 1 ano estava casada como orientador. E ter namorado na altura não foi impedimento? È uma bela forma de empreendorismo."



Achas que ela casou para progredir na carreira mais facilmente? Não acreditas em Amor?



"Concedo que ela até pode gostar do orientador. E sim acredito no Amor? Em certas circunstâncias? sim..."



Pois eu não acredito. E mesmo que acreditasse, tens de ver se o Amor que ela eventualmente teria pelo ex-namorado, ou tem pelo marido, não é maior do que aquele que ela tem por si mesma. Daí ter casado? sempre abre mais umas portas, e bem? uma pessoa tem de se alimentar. Não é a sobrevivência o mais importante?

Thought byBoabdil at 05:09 0 humans wrote something  

Mentalities Reformed







Moscow 1993, during the "revolution". Photo by Eddie Opp

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