Olá meninos... (trilogia do amor III)
Hoje vou contar-vos a última estória de amor desta trilogia dedicada ao Santo Valentim!
Esta é a estória de um homem que tinha uma coisa que todos os meninos vão querer quando forem grandes... não Rúben... não é um SLK! (e sei que tu gostas de ser tratado por Rubinho). Bem, se tiveres um SLK talvez não precises do que o sr. tinha.
Este sr. Tinha um pénis grande, bem, não era grande – era enorme!
De que tamanho? Digamos que havia quem dissesse que ele tinha um gato entre as pernas.
Conheci-o, já adulto, num local público, e fomos apresentados por amigos que me contaram depois a estória. Perto dele respirava-se uma paz podre... hummm... este conceito é demasiado complexo para vocês, mas, imagem uma daquelas frutas muito bonitas que estão nos supermercados... provem-na... e não sabe muito bem, pelo menos não tão bem como aqueles do pomar da avó da pitinha. E Rúben, perdão, Rubinho, as maçãs não vem de fábricas, crescem numas árvores que se chamam macieiras... exactamente, têm o mesmo nome da bebida com que o teu pai se emborracha e diz aos amigos que é cognac.
E este senhor, olhado com respeito e admiração (e uma pontinha de inveja) durante toda a sua juventude, pelos outros homens, apaixonou-se. Foi logo pela rapariga mais pretendida da aldeia. Era bonita, espirituosa, prendada.
Não sabes o que é prendada, zita?
Pois bem, prendadas são aquelas mulheres modernas que sabem lavar a louça, passar a ferro e até cozinham.
E ela também se apaixonou... por ele. E como há coisas que nunca mudam, os dois noivaram, mas sempre sem contacto sexual. Até à vespera do casamento!
Nessa noite resolveram fugir, para que ela se iniciasse na vida sexual antes do casamento. Tal como a tua mãe Rubinho, só que ela iniciou-se antes de cada casamento para o qual era convidada após os 14 anos.
Continuando a estória....
Encontraram-se ás escondidas e quando ele se despiu para dar início à cópula... a rapariga quase desfaleceu. “tás parvo! Achas que algum dia eu ia ter isso dentro de mim! Mais vale ir ter com o Conde Vlad para ele me empalar!” “Mas, amor... nós vamos casar... e mesmo que não queiras fazê-lo agora, vamos ter de fazê-lo quando formos marido e mulher... faz parte do contrato!” “se houver casamento” “não me faças isso... eu gosto muito de ti” “eu também... mas porra... não podias ter um pénis mais pequeno?” “eu sempre achei que fosse uma dádiva de Deus... todos os meus amigos me invejam esta sorte” “então vai sodomizá-los! A mim essa coisa não me toca... adeus... o noivado está terminado”
Devem imaginar o desespero do sr.! com uma erecção do tamanho de um bébé, e sem uma mulher a quem dá-la! E sim... o coração dele ficou despedaçado.
E tentou de tudo para a reaver a sua amada. Falou com os pais, prometeu mundos e fundos (principalmente fundos), pediu ao padre para interceder em seu auxilio, pois amor daquele tamanho jamais se viu na vila. Nada resultou.
Ela embora o amasse até á loucura, sentia-se incapaz de o ajudar. Quanto mais via quanto o amor dele era verdadeiro, mais intensas eram os sonhos e as visões do pénis, fustigando-a nas costas como um chicote que faz amor nas costas de um escravo. E manteve-se irredutivel na sua decisão. Não casaria com aquele pénis!
Como naqueles tempos o pais estava em guerra, nas colónias africanas, o sr. teve de ir para lá combater pela pátria. Ò Mutumbo, fica aí caladito no canto que eu não falei para ti... O sr. era um homem bondoso e foi acabar com a sobrepopulação que havia em àfrica! O que é achas que ele lá foi fazer?!?
A sua personalidade já combalida pela perda a mulher amada, ficou ainda mais amargurada com os horrores da guerra. Felizmente para o sr. a anatomia peniana dos homens africanos era muito semelhante à sua, e as mulheres aceitavam-no de bom grado...
Por momentos (o tempo de um orgasmo) ele foi feliz, mas não lhe sai da cabeça a amada. E deixou tudo em áfrica, uma mulher, um rancho de garotos e até uma quinta com ovelhas, para vir, mais uma vez, tentar conquistar a amada!
Mas quando cá chegou... já o Salazar tinha caído da cadeira. E já a amada era amada mas por outro, que a tinha desposado. E tinham filhos (= a tinham feito sexo).
E ele enlouqueceu....passou-se da cabeça.... quis matar toda a gente... a amada, o marido da amada, o filho deles, todos!!!
Mas não o fez.
Agora vagueia por aí sozinho, armado segundo dizem, a recordar a mulher amada em confidências com os amigos, e á procura de rameiras que satizfaçam o seu pénis.
Como acaba a estória Rubinho? Já acabou, ou melhor, pode ser que ainda haja mortes, mas tudo o que eu dissesse a mais seria especular, e eu deixo isso para a tua mãe. Afinal ela é que é jornalista. Eu só conto estórias.
E como trabalho de casa quero que amanhã os meninos e as meninas me digam, depois de pensar, qual ou quais as coisas que as três estórinhas felizes de amor têm em comum. E eu vou dar um chocolate a quem tiver a resposta acertada, e outro, a quem tiver a resposta mais criativa.
Bom dia dos namorados!!!! E lembrem-se sempre que ainda há guerra no burundi, no zaire, congo, afeganistão, iraque....
Thought byBoabdil at 12:37 0 humans wrote something
Amor platónico com uma Puta! (trilogia do amor II)
Podiam ser qualquer outra coisa. Poderiam ser artistas plásticos, vigaristas, cobradores de impostos, todas as possibilidades de ocupação de tempo útil de vida. Mas escolheram estas actividades. Ele porque quis morrer desta forma, consumido pelo álcool lentamente, num torpor etílico, uma queima das fitas eterna. Ela tinha de ganhar a vida, e aquela actividade pareceu-lhe tão boa como qualquer outra. Se haveria de apanhar porrada do marido e tomar conta dos filhos, inicia na vida sexual adolescentes e é esfaqueada ocasionalmente pelo proxeneta de serviço.
E encontraram-se. Num local que se assemelha ao Reino de Hades, mais polido e com brilho, mas os infernos são todos iguais, só muda o nome e as razões pelas quais lá queremos entrar.
Não interessa como começou a relação entre eles. O que interessa é o pacto por eles estabelecido de modo a que a relação não terminasse. Ele pediu-lhe apenas que ela não lhe pedisse jamais para deixar o álcool. Ela queria apenas que ele a deixa-se prostituir-se. Pouco razoável? Talvez. Mas o objectivo de vida dele era a morte. Devido ao álcool.
E assim viveram durante uns tempos. E foram felizes. Ela ajudava-o nas suas crises de delirium tremens e ele limitava-se a gostar dela. Algumas vezes durante períodos mais arrojados e felizes tentaram fazer sexo, mas nunca resultou. O álcool já estava a surtir efeito, e ele não conseguia sequer ter ou manter uma erecção, por mais que ela se esforçasse. Sem a capacidade reprodutora, ele já não servia de nada para a mãe natureza. Mas servia para a prostituta.
Como acaba esta estória? Como todas as estórias de amor felizes. Ele morre entre convulsões e vómitos, enquanto que ela tenta desesperadamente arrancar-lhe o orgasmo final e impossível.
(sinopse muito livre, e com a minha visão particular do filme “Morrer em Las Vegas”)
Thought byBoabdil at 15:07 0 humans wrote something
Virgem Viúva (trilogia do amor I)
A maria conheceu o josé, e logo se apaixonaram.
O amor que sentiam passou inevitavelmente do plano emocinal para o físico. Ou melhor... passou mas não completamente. Ambos queriam que a união do seu amor fosse completa e total, mas infelizmente a Maria queria casar Virgem.
José, que estava completamente louco, disse que estava bem. Respeitava a decisão da Maria, mas teriam de casar rapidamente.
E assim foi. Uma bela cerimónia com padre e tudo. Familia e amigos, comida e vinho.
No meio da confusão a Maria, ansiosa de tanto esperar e desejosa de finalmente se unir com o homem que amava, pegou numa garrafa de vinho, no José, e foram para cave.
Abraçaram-se por todo o lado, perseguiram-se terna e ansiosamente, beijos, abraços... e caíram no chão...
Ohhhh.... não... NÃO!!!!!!!
O josé caiu em cima de um encinho que ali estava distraído. E esvaiu-se em sangue manchando o branco puro do vestido de noiva.
Hoje a Maria vive infeliz não consumou o seu amor nem sequer sabe o que teria sentido. Pois se um dia foi uma noiva virgem, agora não passa de uma virgem viúva.
(adaptação muito livre de “Virgen bride” dos Morphine, albúm “B-Sides and Otherwise”)
Thought byBoabdil at 08:48 0 humans wrote something
Cardiologia
Fui novamente ao local de peregrinação dos Humanos. E reparei que devia haver uma convenção de cardiologistas tal a quantidade de corações de todos os tamanhos e feitios que se encontravam expostos nos altares. Que ironia. E logo em locais onde se respira sáude e se come comida recomendada pelas melhores Igrejas.
Mas não. Não era uma reunião de cardiolgistas. Esses tinham ido para Trinidade e Tobago onde se faz investigação de topo na área. Os corações deviam-se à comemoração de um feriado religioso: O dia de São Valentim.
Inspirado por este clima de felicidade e vendo os festejos que decorrem no Uganda resolvi escrever algumas pequenas estórias de amor.
Thought byBoabdil at 08:39 0 humans wrote something
A Carta ou a Angústia
Aquele era o dia. Após tanto tempo à espera, chegaria finalmente a carta. Já fiz todas a as previsões possíveis, para todas as respostas possíveis e impossíveis. Sim., sinto que estou preparado para tudo. Estou calmo, consciente e firme. Confiante que tenho uma reacção preparada para cada eventualidade.
Passa o tempo…
Começo a inventar formas de me ocupar enquanto não chega o carteiro. Faço um lanche preparo um café, ouço uma música… faço filmes na minha cabeça. Hhhhaaaaa… quando a resposta chegar! Limpo o escritório daqueles papéis que não interessam… limpo a minha cabeça de maus pensamentos.
Não que a carta vá alterar a minha vida, ou vai? “claro que vai seu estúpido, senão não estarias tão ansioso” “está bem, a carta é importante, mas tens alternativas… não tens?” “a alternativa dele é estar calado… estes seres humanos não passam de corpos inanimados cuja energia potencial é inversa à cinética, e ambas se dissipam assim que o chão interrompe a sua queda” ”este é um humano diferente” “isso é o que todos eles pensam, mas não admitem – são todos igualmente estúpidos” “vais ver, assim que a carta chegar tudo vai mudar, a o movimento que gerará será imparável…” “até ao chão” “…” calem-se! As vozes na minha cabeça estão a dar comigo em doido…desapareçam! Estava tão bem sem vocês.
“brincadeirinha…” “…sabes que já não passas sem nós…” “… nós somos a mão que coça na ferida quase sarada…” “… até sangrar novamente…” “… mantemos-te em carne viva…” “… e tu gostas!”
Eu só quero que chegue a carta. A pior resposta é a ausência de resposta.
Por esta altura já estou a imaginar o que poderá ter sucedido. Terei escrito mal o meu endereço… Haverá incompetência de alguma secretária de pernas abertas… Carteiro frustrado com o salário, que resolve vingar-se nos utentes… Ou estará a minha casa no cimo de um monte demasiado alto para subir de bicicleta… as teorias de conspiração começam a envolver-me como nevoeiro sebastianino, um processo Kafkiano.
Terá sido a carta apreendida por suspeitas de traição á nação… e já alguém se lembrou de prender a nação por traição aos cidadões?
Não quero pensar mais no atraso da carta… ansiosamente aguardo, caminhando de um lado para o outro na sala cavando um fosso (que saudades das bandas desenhadas do Pato Donald), ou será a minha cova?
Por fim o desespero acabou. Não querendo parecer demasiado ansioso, fui buscar calmamente a carta, demorando todo o tempo do mundo (alguns milésimos de segundo). Calado como na missa, pousei a carta e abria-a…
PUMMMMMM!!!!!!!!
Estava armadilhada! Bastou uma fracção demasiado grande de tempo para pedaços do meu corpo voarem em direcções aleatórias e pintarem nas paredes um quadro surrealista de sangue e pedaços de carne parcialmente carbonizada.
Finalmente tinha uma resposta. E não estava preparado para ela. Também… já não me adiantava de muito. As vozinhas dentro da minha cabeça tinham mais uma vez razão… A carta mudou de facto com a minha vida. Mexeu mesmo muito comigo.
Após o meu o funeral chegou outra carta àquela que foi a minha casa. Era um pedido de desculpas. Um terrorista incompetente tinha-se enganado na morada. Os meus pedaços ficaram muito mais contentes.
Thought byBoabdil at 16:17 0 humans wrote something
Na mouraria não há vontade de escrever... quando se ouve 3 albuns de seguida de Nick Cave and The Bad Seeds (e sublinho as más sementes), Nocturama, The Boatman's Call e No more Shall we Parte... invade-me uma certa sensação de humildade... mas isto passa-me...
Sem contar que ontem a ir para casa já a horas tardias tive o prazer de escutar, que saudades, o projecto Ovelha Negra, não sei o titulo do single, mas que se lixe é bom! e hoje para começar bem o dia, nada com os Três tristes Tigres com Zap Canal. quando se ouvem 2 músicas portuguesas tão brilhantes fico a pensar como é possivel que os albúm mais vendido de 2003 seja dos Tribalistas!
Thought byBoabdil at 03:00 0 humans wrote something
A queda de um Anjo, ou, Um prédio na Rua da Sedução
Enquanto criança, gostava do risco. Subia a um dos prédios vizinhos em construção, e ficava nos buracos das paredes, que mais tarde seriam, janelas, varandas… E ficava com o olhar perdido em nada, absorto com os meus pensamentos, solto de tudo… e invariavelmente caía do prédio abaixo. Descuidos de criança. Magoava-me. Nada de especial, contusões, luxações, dores que passam logo que surgem uma nova brincadeira com os amigos.
E voltava a subir aos prédios e a abeirar-me das janelas. Mas subia cada vez mais alto, e de mais alto caía. Achei que a sedução da queda não era normal, mas aqueles momentos antes da queda em que me sentava olhando o mundo de cima, pensando que era feliz… e os milésimos de segundo em que dura a queda… são muito mais do que a vertigem da velocidade, a necessidade de auto-destruição… era nessa fracção infinitesimal de tempo, que era melhor que todos. Sabia que ia cair, chorar, berrar, jurar a pés juntos que nunca mais o faria, e no entanto… sabia que não morreria. Passados uns tempos já estaria de pé, ou então a rastejar agarrado aos andaimes, a tentar alcançar uma janela mais alta.
Cresci. E o meu corpo mudou. Os ossos perderam maleabilidade e os músculos, o que ganharam em força, perderam 2 vezes em flexibilidade. E por uma última vez subi ao prédio, já quase construído, para, no terraço, avistar por fim a terra prometida. E avistei.
E caí.
Parti o corpo todo… escoriações que duram até hoje, fracturas expostas, hemorragias internas, lesões cerebrais… Por um vislumbre de felicidade quase morri. E se não morri foi porque não tive a coragem de largar o suspiro final. Covardemente resisti respirando, até ter força para me arrastar por entre lixo, lama, entulho, vasos partidos, tijolos disformes rejeitados.
Custou. A fisioterapia foi difícil e precisei de várias mãos hábeis, umas mais experientes que outras, mas consegui ficar curado, ou quase, à custa de vários dias de ócio mórbido, de isolamento de tudo e de quase todos. Jurei e lutei furiosamente para me manter afastado deste prédio. Vivi no campo, nas montanhas, tornei-me eremita, velejei ao sabor do vento, esperando que a sua arbitrariedade me mantivesse longe, ou me secasse este desejo de cair.
Hoje caminho orgulhosamente entre os que se dizem meus iguais, pois sei que já vivo a minha segunda vida. Porquê? Não sei. Se existe Deus não fez nada para me ajudar ou prejudicar. Foi tudo da minha inteira responsabilidade. E nem culpo os senhores das obras por nunca me terem avisado do perigo. Estas coisas acontecem.
Ontem passei pelo prédio. Julgava-o já decrépito e desmazelado, consumido pelo tempo e pelas intempéries. Mas, não. Está mais altivo e bonito que nunca. Estou a pensar comprar lá um apartamento. Talvez um que tenha acesso ao terraço.
Não sei se vou cair outra vez…
Thought byBoabdil at 03:30 0 humans wrote something